Jerry Lewis é reverenciado na TV e aparece até cantando em português

Por Marcelo Bernardes

“Dá a chupeta, dá a chupeta. Dá a chupeta pro bebê não chorar.”

Foi usando uma cena do filme “Morrendo de Medo” (1953), no qual Jerry Lewis imita Carmen Miranda, cantando, em português, a marcha carnavalesca “Mamãe Eu Quero” (de Vicente Amorim e Jararaca, 1937), que o noticiário local da rede norte-americana de televisão NBC abriu sua transmissão de domingo.

Jerry Lewis cantando, em português a marcha carnavalesa “Mamãe Eu Quero”, em cena do filme “Morrendo de Medo”. (Foto: Reprodução)

Em todos os noticiários locais de TV, isto é, voltados para os estados vizinhos de Nova York, Nova Jersey e Connecticut, a morte do comediante Lewis, neste domingo (20), aos 91 anos, foi a principal notícia do dia. Lewis foi chamado de “lenda”, “ícone” e “rei da comédia”, este último tomando emprestado o título do filme estrelado por Lewis e Robert De Niro em 1982, e dirigido por Martin Scorsese.

Jerry Lewis, Robert De Niro e Martin Scorsese, em intervalo das filmagens de “O Rei da Comédia” (1982) em NY. (Foto: Divulgação)

Lewis teria gostado de saber da homenagem reservada para poucos, uma vez que achava ser mais popular na França, onde era tratado como ícone pela revista Cahiers du Cinéma (que o considerava um diretor genial no mesmo patamar de grandes de Hollywood como Alfred Hitchcock e Howard Hawks). Em 2006, o Ministério da Cultura da França premiou Lewis com uma de suas honrarias máximas, o título de Commandeur de la Légion d’Honneur. Apesar da reverência na França e em outros países, o país natal de Lewis sempre considerou seu tipo de humor popularesco, sem maiores pretensões intelectuais. Isso pode explicar o fato de que, nos noticiários nacionais, Lewis foi a segunda ou terceira notícia principal do dia, atrás do eclipse solar amanhã (21) e da investigação do ataque terrorista em Barcelona, na quinta (17).

Nos noticiários nacionais, a morte de Jerry Lewis foi noticiada após as úlltimas sobre o eclipse solar de segunda (21). (Foto: Reprodução)

Jerry Lewis era um dos “filhos” ilustres que Nova York roubou do estado vizinho de Nova Jersey. Ele nasceu em Newark, onde fica um dos três maiores aeroportos usados pelos nova-iorquinos, a 30 minutos de Manhattan, e também uma das cidades mais violentas dos Estados Unidos. Um dos amigos de Lewis, o cantor Frank Sinatra, também nasceu nas proximidades: em Hoboken, cidade de Nova Jersey que tem vista para Manhattan, e fica a 31 minutos de distância do centro de Newark.

Na tarde deste domingo (20), fãs de Lewis visitaram e deixaram flores no teatro Marquis, na região do Times Square, onde o comediante, em 1995, fez sua (tardia) estreia na Broadway, no musical “Damn Yankees”. Homenagens também foram feitas na frente do centenário clube de artes e comédia Friars, centro de Manhattan, que, em 2014, foi rebatizado de “Monastério Jerry Lewis”.