Chef japonês ensina Nova York a comer bife em pé

Por Marcelo Bernardes

A nova churrascaria sensação de Nova York vem do Japão e tem estilo fast food. Quem não se importar em comer de pé, protegido por um avental branco de papel, vai poder saborear um dos melhores filés servidos na cidade e guarnecido apenas com milho refogado e cebola, sem possibilidade de sobremesa ou cafézinho ao final da refeição.

Aberto em novembro, o restaurante Ikinari Steak vem atraindo multidões em sua primeira filial americana, num pequeno espaço, capaz de abrigar 50 pessoas, no bairro do East Village, em Manhattan.

Filé é servido com milho e cebola. (Foto: Marcelo Bernardes)

Vencida a fila na porta (geralmente à noite, nos fins de semana, resultando numa espera que pode chegar a 30 minutos), o cliente é levado a um dos vários balcões, que podem abrigar até quatro pessoas. Há bastante espaço para evitar cotoveladas e, no chão, se encontra um stand para os pertences de mão. Depois de pedir as bebidas, o cliente recebe um número e pode ser direcionar à cozinha, no centro do restaurante, onde um dos cozinheiros corta a carne e o pesa. São três os cortes disponíveis: contra-filé, filé de costela e alcatra. O peso minímo do filé é de 200 gramas a 300 gramas (peso recomendado). O peso é aproximado, e depende do bom olho do cozinheiro. O meu contra-filé tinha 345 gramas. O cliente paga por grama: 11 centavos. O meu filé foi US$ 35. A carne vem de uma fazenda no estado americano de Illinois.

 

Carne é cortada e pesada na frente do cliente. (Foto: Marcelo Bernardes_

A carne geralmente fica pronta em 10 minutos. Recomenda-se que o bifé seja mal passado, uma vez que ele é servido numa pequena bandeja quente que continua a cozinhá-lo por mais alguns minutos. Condimentos incluem mostarda, raiz forte, alho em pó, e um molho especial feito a partir de soja e servidos em garrafas térmicas e recomendado para “acentuar” o sabor da carne.

Restaurante no East Village tem espaço para 50 pessoas e filas à noite. (Foto: Marcelo Bernardes)

 

No fundo existe um pequeno espaço com mesas e dez cadeiras para idosos, crianças ou pessoas que preferem se sentar.

Ikinari significa “de repente” em japonês e foi criado pelo chef Kunio Ichinose, uma celebridade no Japão. O J-Steak, apelido que a imprensa japonesa deu ao conceito, foi recebido com bastante desconfiança e reticência pelo público. Passando o estranhamento inicial, a ideia de Ichinose pegou e virou referência de comida rápida, principalmente na hora do almoço. O Ikinari já tem mais de 100 filiais no Japão, 60 delas em Tóquio.

Fila na porta do Ikinari Steak, em Tóquio, na hora do almoço. (Foto: Divulgação)

Ichinose decidiu abrir um restaurante em Nova York, pois adora a cidade e a visita frequentemente. A experiência de comer nas churrascarias americanas o deixou “sufocado”, com a quantidade de guarnições como purê de espinafre, brocoli, batada assada e onion rings, sem falar na tradicional entrada com camarão. O chef acha que seu conceito mais minimalista e rápido pode dar certo em Nova York. Se isso acontecer, a cidade deve ganhar mais outros nove restaurantes. Outras cidades como São Francisco e Los Angeles, além de algumas capitais européias, também manifestaram interesse no restaurante.