Dia da mulher em NY tem cartazes anti-Trump e apresentadoras de vermelho

Por Marcelo Bernardes

Gayle King, co-âncora do noticiário “CBS This Morning” e melhor amiga de Oprah Winfrey, foi uma das apresentadoras matutinas da TV americana a usar uma roupa vermelha em solidariedade à manifestação feminista “Um Dia Sem Mulher”, organizada hoje nos Estados Unidos e também ao redor do mundo.

A manifestação, também conhecida como “greve das mulheres”, pede que as participantes, para celebrar o Dia Internacional da Mulher, tentem faltar ao trabalho ou a escola, não comprem nada em lojas e usem roupas ou acessórios da cor vermelha.

A apresentadora Gayle King usando vermelho em solidariedade ao dia internacional da mulher. (Foto: Reprodução)

A designer de moda Diane von Furstenberg, uma das entrevistadas do “CBS This Morning”, usava um wrap dress – o icônico vestido-envelope que ela criou e que a tornou famosa mundialmente na década de 70 -, em estampa azul, branco e preto. Lembrada que faltava um pouco de vermelho no dia de hoje, von Furstenberg disse que não fica bem usando a cor. “Minha mãe costumava me vestir sempre de vermelho”, disse franzindo o rosto. “Minha mãe também costumava dizer que ser mulher é um privilégio”, disse von Furstenberg. “Toda vez que ela falava sobre homens, ela se referia a eles como ‘le fauvre’ (pobre). Essa foi a maneira que fui criada”.

Diane von Furstenberg diz que experimenta sexismo atualmente pela primeira vez. (Foto: Reprodução)

Von Furstenberg disse que, por comandar sua própria empresa por décadas, nunca precisou passar pelo “glass ceiling” (ou teto de vidro, jargão para designar os obstáculos que mulheres e outras minorias enfrentam para subir na hierarquia empresarial). “Mas devo dizer que, hoje, pela primeira vez em minha vida, eu me encontro deparando com sexismo. Por isso, acho muito importante para mulheres mostrarem a força que naturalmente têm”.

Âncora do jornal Spectrum News, da rede NY1, usa vermelho. (Foto: Reprodução)

Várias bairros da parte sul de Nova York acordaram hoje com pôsteres anti-Trump colados nos tapumes de madeira que protegem construções de prédios. O cartaz, feito pela artista Marilyn Minter, recria os comentários desrepeitosos sobre mulheres que o presidente Donald Trump fez em 2005, durante uma entrevista na TV, sem saber que era gravado.

Entre os comentários estão: “Você sabe, sou automaticamente atraído pela beleza – eu simplesmente começo a beijá-las. É como um ímã. Somente beijo. Nem espero”; “E quando você é uma estrela, elas deixam você fazer isso. Você pode fazer qualquer coisa”; e “Pegue-as pela xoxota. Você pode fazer qualquer coisa”.

Cartazes com declarações sexistas de Trump surgiram hoje em bairros de Manhattan. (Foto: Marcelo Bernardes)