Presença de Trump em tríplex cria inferno no comércio de NY

Por Marcelo Bernardes

A eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos está criando um verdadeiro inferno para o comércio na região da Quinta Avenida, entre as ruas 56 e 57, onde funcionam algumas das maiores e mais icônicas lojas de departamento e comércio de luxo de Nova York.

Por motivos de segurança, o Serviço Secreto americano obrigou a polícia de Nova York a fechar um quarteirão inteiro da rua 56, imediatamente após a vitória de Trump na madrugada de 8 de novembro. A rua é paralela a Trump Tower, prédio que abriga o tríplex de cobertura onde Trump mora com a mulher, a ex-modelo Melania Trump, e o filho caçula, Barron. Para complicar o trânsito caótico da região e a maciça presença de turistas, especialmente nesta época do ano, o local ainda ganhou um contingente extra: manifestantes anti-Trump, que toda noite fazem prontidão no local.

Quarteirão da rua 56, entre Quinta e Sexta avenidas, foi fechado pelo Serviço Secreto. (Foto: Marcelo Bernardes)
Quarteirão da rua 56, entre Quinta e Sexta avenidas, foi fechado pelo Serviço Secreto. (Foto: Marcelo Bernardes)

Restaurantes, bares e barbearias na rua 56 estão sofrendo com o acesso limitado de carros na área e as barricadas erguidas no local. Um estacionamento particular, por exemplo, perdeu 60% da clientela. Reservas feitas para o restaurante italiano Il Tinello começaram a ser canceladas, segundo o gerente do local. Bares e mini-mercados estão com problemas de estocar suas geladeiras e prateleiras, uma vez que todos os caminhões de entrega precisam ser vistoriados pela polícia. Floriculturas também estão com problemas de fazer grandes entregas. O dono de um supermercado diz que, se continuar assim, ele terá que fechar seu estabelecimento para sempre ou relocá-lo para outra região da cidade. A situação pode se complicar caso Trump decida alternar residência entre a Casa Branca e seu tríplex nova-iorquino.

Grifes de luxo como a Gucci, do lado da Trump Tower, estão às moscas desde a eleição presidencial. (Foto: Marcelo Bernardes)
Grifes de luxo como a Gucci, do lado da Trump Tower, estão às moscas desde a eleição presidencial. (Foto: Marcelo Bernardes)

Nem só o comércio pequeno está sendo afetado. Na rua 57, espécie de corredor das lojas de luxo de Manhattan, grifes como Louis Vuitton, Burberry, Gucci, Armani e Prada estão com clientela reduzida desde a eleição de Trump. A Henri Bendel, loja de departamento de luxo situada na Quinta Avenida, costuma fechar suas portas às 20h durante os finais de semana. Mas, no sábado (12) e no domingo (13), quase às moscas, a loja fechou respectivamente às 14h e 15h45. Somente durante o furacão Sandy, em 2012, a Henri Bendel fechou suas portas antes do horário oficial. Até o hotel Plaza e o Paris Theatre, o único cinema da região norte de Manhattan a exibir o filme brasileiro “Aquarius”, estrelado por Sonia Braga, estão tendo respectivamente queda do número de hóspedes e espectadores.

Barricada policial na frente da Tifanny's (a esq.) faz com que a loja, que fica encostada a Trump Tower, cancelasse evento de lançamento de sua vitrine de natal. (Foto: Marcelo Bernardes)
Barricada policial na frente da Tiffany’s (a esq.) faz com que a loja, que fica encostada a Trump Tower, cancelasse evento de lançamento de sua vitrine de natal. (Foto: Marcelo Bernardes)

A icônica joalheria Tiffany’s, que fica na esquina da rua 57 com Quinta Avenida, cancelou pela primeira vez em sua história um evento especial de lançamento de sua vitrine de natal que faria na manhã de segunda (21). A vitrine que seduziu Holly Golightly, a personagem do livro de Truman Capote interpretada no cinema por Audrey Hepburn, agora será revelada sem fanfarra ou glamour dos flashes.

Trânsito parado na rua 58, onde está o hotel Plaza e o Paris Theatre, que exibe o filme brasileiro "Aquarius". (Foto: Marcelo Bernardes)
Trânsito parado na rua 58, onde está o hotel Plaza e o Paris Theatre, que exibe o filme brasileiro “Aquarius”. (Foto: Marcelo Bernardes)