“Namorada” do comediante Louis C.K. ganha série de TV

Por Marcelo Bernardes

O sitcom “Louie”, criado por Louis C.K., está em recesso desde maio do ano passado, quando a quinta temporada da série chegou ao final. Mesmo ausente da TV (“Louie” volta somente em 2017), o comediante C.K. tem deixado sua marca na emissora que hospeda seu programa, a FX.

Em janeiro, ele foi um dos produtores do melancólico seriado “Baskets”, que co-criou em parceria com o diretor Jonathan Krisel e o ator Zack Galifianakis. Este último, interpretou o papel principal da série, um palhaço que, depois de abandonar um curso da arte cômica em Paris, volta derrotado para a Califórnia onde vai trabalhar como um clown de rodeio e sobrevive com salário mínimo. Agora é a vez de C.K. apresentar sua nova ideia: “Better Things” (coisas melhores), lançado quinta (8) na TV americana.

“Better Things” é uma espécie de versão feminina de “Louie”, embora menos sombria. Sua co-criadora, porém, vem tentando refutar a comparação. Ela é a atriz Pamela Adlon, mais conhecida por interpretar o papel de namorada de C.K. em “Louie” (ela também foi produtora e roteirista do show). Os dois se conhecem há 11 anos, desde que Pamela foi escalada para participar do extinto sitcom “Lucky Louie”. Na nova parceria, C.K. não só funciona como produtor-executivo e roteirista: ele também dirigiu o piloto do programa.

Pamela Adlon (falando ao  celular) interpreta uma atriz de Hollywood em "Better Things". (Foto: Divulgação)
Pamela Adlon (falando ao celular) interpreta uma atriz de Hollywood em “Better Things”. (Foto: Divulgação)

Ambientada na cidade de Los Angeles, com cenas externas mais solares e reconfortantes que a Nova York notívaga e crua de “Louis”, a série “Better Things” acompanha a história de Sam Fox, uma atriz que não é mais uma aspirante à profissão, mas que também não conseguiu emplacar um papel de sucesso. Em uma das cenas, esperando fazer um teste para uma personagem cujos diálogos desdenha (“quem escreveu isso?”, ela pergunta para outra atriz pleiteando a vaga), Fox vê suas chances se evaporarem, assim que Julie Bowen (a Claire do sitcom “Modern Family”), interpretando ela mesma, sai da sala do diretor de elenco com a oferta do papel na mão. O ator David Duchovny e o músico Lenny Kravitz farão participação especial no programa, que tem 10 episódios.

As aventuras de uma atriz no mundo ingrato do showbiz são apenas pano de fundo para a série. “Better Things” é um sitcom sobre como ser uma mãe divorciada. Fox tem três filhas. Max (Mikey Madison), a mais velha, é adolescente sexualmente ativa e que está adquirindo gosto pelos entorpecentes (no primeiro episódio, pede para a mãe comprar maconha medicinal para que possa fazer uso recreativo da substância). A filha do meio, a pré-teen Frankie (Hannah Alligood), tem suas causas sociais. Diz à mãe que contempla uma clitorectomia, em solidariedade às jovens africanas vítimas de mutilação vaginal. A caçula Duke (Olivia Edward), quando não criando pequenos escândalos num shopping center ou fazendo comentários maldosos, é o xodó da mãe.

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“Better Things” é como um filme de Woody Allen sem a presença do diretor. O ritmo e os cacoetes de Louis C.K. estão presentes por todas as partes. Pamela fala e atua como se ainda estivesse em cena de “Louie”; sua personagem é semi-autobiográfica como o de C.K. naquele programa; e um certo tom de frustração e rancor é sentido em várias cenas. Mas há também uma grande pitada de ternura e calor no relacionamento da mãe com as filhas, o que faz de “Better Things” uma comédia mais positiva. Em entrevista ao jornal Los Angeles Times, Pamela classificou seu programa como um “documentário” ou “filme independente”. “Gosto de manter tudo simples”, disse ela. “É como deixar rolar um peido. Você fica sentado e o cheiro se alastra.”