Revista revela lista das 35 pessoas mais influentes da mídia de NY

Por Marcelo Bernardes

Na sexta edição de sua lista das 35 pessoas mais poderosas da mídia nova-iorquina, a revista The Hollywood Reporter, que vem a ser editada em Los Angeles, empossou o editor-executivo da The New Yorker David Remnick, 57, e o apresentador sul-africano de talk show político Trevor Noah, 32. Também aumentou a presença das companhias de novas mídias como Vice e BuzzFeed e retirou seu apoio aos sites noticiosos. The Huffington Post e o Yahoo News, ambos comandados por editoras-executivas, respectivamente Arianna Huffington, 65, e Megan Lieberman, 48, ficaram de fora da lista do poder deste ano.

O girl power na mídia, porém, não diminuiu. Samantha Bee, 46, é a musa da vez, debutando na lista da revista por conta de seu novo talk show, o “Full Frontal with Samantha Bee”, da rede TBS, que a coloca no posto de a solitária voz feminina num fim de noite dominado por homens. Também entrando na lista pela primeira vez, a atriz Lena Dunham e a produtora-executiva do seriado “Girls” Jenni Konner, criadoras da newsletter/website “Lenny Letter”, que publicou carta da atriz Jennifer Lawrence defendendo a igualdade salarial.

Novatos da lista do poder da mídia compilada pela revista Hollywood Reporter: a apresentadora de talk show Samantha Bee, o editor-executivo da revista semanal The New Yorker e o apresentador Noah, que ocupou o lugar deixado por Jon Stewart no programa político "The Daily Show". (Foto: The Hollywood Reporter)
Novatos da lista do poder da mídia compilada pela revista Hollywood Reporter: a apresentadora de talk show Samantha Bee, o editor-executivo da revista The New Yorker e o apresentador Trevor Noah, que ocupou o lugar deixado por Jon Stewart no programa político “The Daily Show”. (Foto: The Hollywood Reporter)

 

Também com presença marcadamente mais vitaminada este ano está Megyn Kelly, 45, apresentadora do programa de notícias “The Kelly File” da rede conservadora Fox. Kelly se tornou uma das melhores moderadoras de debates políticos após iniciar um pega para capar com o pré-candidato republicano à Casa Branca Donald Trump, no qual ela criticou o empresário de ser um chauvinista que atribui às mulheres que desdenha, xingamentos chulos como “cadelas” e “porcas gordas” em seus tuítes. Num segundo debate moderado por Kelly, Trump amarelou e não quis participar. Tudo isso ajudou a apresentadora a continuar no comando do segundo programa de maior audiência das redes a cabo e a levou para a capa da revista Vanity Fair, que lhe deu visibilidade internacional.

Por falar na revista Vanity Fair, o editor da publicação, Graydon Carter, 66, eleito o melhor de 2015 pela revista de mídia Adweek, mais uma vez esteve ausente da lista dos poderosos da Hollywood Reporter. Os rivais de Carter na editora Condé Nast – Anna Wintour, 66, da Vogue, e Remnick, da The New Yorker, são os únicos editores de revista mencionados na lista de poderosos.

Além de ser a pessoa mais influente da moda nos Estados Unidos (e também com grande poder de fogo na Europa), Wintour comanda um dos fundraisings de maior sucesso do país: o baile anual para o Costume Institute (Instituto de Moda) do museu Metropolitan, de Nova York. Em sua última edição, o evento arrecadou um total de US$ 150 milhões em doações. Trata-se também de uma festa que reúne, sob o mesmo teto, um número de celebridades comparável ao da cerimônia do Oscar.

Os bastidores dos preparativos dessa festança estão no documentário “The First Monday in May” (A primeira semana de maio, data da organização do evento), filme de abertura do Festival de Cinema de TriBeCa no dia 13 de abril. Com acesso sem precedentes dado por Wintour (ela também vetou muita coisa), o cineasta Andrew Rossi captou vários detalhes da festa, supervisionados de perto pela editora. Da organização de quem senta ao lado de quem nas mesas até a proibição de certos ingredientes no menu da noite como salsinha (para evitar resíduos nos dentes), alho e cebola (mau hálito). Fã de uma interação social mais tradicional, Wintour proíbe o uso de celulares na festa e ameaça botar para fora quem desrespeitar sua regra, elegantemente mencionada num e-mail especial enviado para os convidados antes da festa.

Em 2015, a revista The New Yorker alcançou seu pico de circulação: um pouco mais de um milhão de assinaturas, com seu website tendo média mensal de 13.5 milhões de visitantes únicos, aumento de 20% em relação ao ano anterior. Leitores de faixa etária entre 18 a 34 anos compõem o grosso do tráfico da página. Embora odeie a palavra “grife”, o editor-executivo Remnick vem expandindo o alcance da marca com a criação de um programa de rádio, “The New Yorker Radio Hour” (apresentado pelo próprio), e uma série de dez partes, “The New Yorker Presents”, exibida pela plataforma online Amazon.

Na entrevista com a Hollywood Reporter, Remnick revela um pouco sobre seus gostos e hábitos pessoais. Ele disse que gosta da série “Girls” e seu “prazer culpado” da TV no momento é o seriado “Billions”, sobre uma empresa de hedge funds investigada pelo advogado-geral de Nova York. Ele assistiu a dois episódios do reality show “Keeping Up with the Kardashians” e não pretende continuar a sintonizá-lo. “Acho que tive uma boa ideia do programa. Ela (Kim) é o Andy Warhol – não que ela seja uma artista, mas pelo fenômeno de entender alguma coisa sobre fama nos Estados Unidos”, explica. O escritório de Remnick fica no 38o. andar da nova torre One World Trade Center e ele, às quartas, edita os famosos cartuns da revista. Remnick considera Donald Trump “um demagogo perigoso” e disse que gostaria de se sentar ao lado do presidente russo Vladimir Putin num jantar. O restaurante favorito do editor é a metade-mercadinho, metade-birosca Barney Greengrass, no Upper West Side de Manhattan, a um quarteirão e meio da casa dele. Remnick tem até conta no lugar.

Editores-executivos dos três principais jornais da cidade – The New York Times (Dean Baquet, 59), The New York Post (Jesse Angelo, 42, que é o publisher, e Col Allan, 63) e Daily News (Jim Rich, 44) – fazem parte da lista do poder da Hollywood Reporter. De fora, ficou o maior matutino dos Estados Unidos, o Wall Street Journal.

Concorrente direto do tablóide New York Post, o Daily News é um jornal que atravessa uma longa crise e que, recentemente, resultou na redução do número de funcionários da editoria de esporte (seção importante dos tablóides de NY, com 35% das páginas) e do departamento de fotografia. Em outubro, com a promoção de Rich ao posto de editor-executivo, o jornal continuou perdendo circulação, mas cresceu em prestígio, principalmente por conta de suas manchetes inventivas e dramáticas sobre a eleição presidencial americana. Nesta quarta (6), uma capa que critica o apoio do candidato democrata Bernie Sanders à indústria de armas de fogo nos EUA foi citada por todos os veículos da mídia americana.

A atriz e autora Lena Dunham e a produtora-executiva de "Girls" Jenni Konner: novatas na lista do poder por conta da newsletter feminista "Lenny Letter". (Foto: Reprodução)
A atriz e autora Lena Dunham e a produtora-executiva de “Girls” Jenni Konner: novatas na lista do poder por conta da newsletter feminista “Lenny Letter”. (Foto: Reprodução)

Em 2015, a média de páginas visitadas no site do jornal New York Post foi de 39 milhões, 10 milhões a mais que no ano anterior. A publicação de propriedade do magnata australiano conservador Rupert Murdoch é ainda muito influente entre os power players da cidade, principalmente pelo sucesso da coluna social “Page Six”, a menina dos olhos do editor-executivo Col Allan. Publicada todos os dias da semana, ela é editada pela jornalista inglesa Emily Smith, trazida para o jornal a pedido de Murdoch.

Embora o número de jornais vendidos em banca e o de anunciantes continuem a despencar, o New York Times, o jornal mais prestigiado do mundo, obteve grande êxito em sua plataforma digital: 1.1 milhão de assinantes da versão online em 2015, contra 600 mil em 2014. Em fevereiro, o editor-executivo Baquet instituiu uma revisão de estratégias na redação do jornal e uma reestruturação está em andamento. O jornal também investe no campo da realidade virtual. Na Hollywood Reporter, Baquet revela que sua entrevista dos sonhos já rolou. Foi com o escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez . “Eu gaguejei”, disse. Baquet conta que gostaria de sentar-se ao lado de Bernie Sanders num jantar. Seu passatempo preferido em Nova York é visitar as galerias de arte do Chelsea nos finais de semana com a esposa, a escritora Dylan Landis, e sua comida preferida é o hambúrguer servido no NoMad Bar, do Hotel NoMad.

As companhias de novas mídias são representadas pela Vox Media, BuzzFeed e Vice, todas com CEOs de idades abaixo dos 50: respectivamente Jim Bankoff 47, Jonah Peretti, 42, e Shane Smith, 46. Os videos da Vox Media tem 170 milhões de visitantes únicos por mês. Os da BuzzFeed, impressionantes 3 bilhões mensalmente. Ambas as companhias receberam investimentos recentes de US$ 200 milhões do conglomerado NBCUniversal.

Já a Vice, que acabou de lançar o canal ViceLand, com direção criativa do cineasta Spike Jonze, está avaliada em US$ 4.2 bilhões, depois que a Disney injetou US$ 400 milhões na companhia no final do ano passado. A Vice tem funcionários em 30 países, inclusive o Brasil, e prepara uma série documental a ser exibida pela rede HBO. As entrevistas dos sonhos do CEO Smith são com o papa Francisco e o presidente Barack Obama, de preferência, no caso do último, se acontecer durante os seis últimos meses de sua administração “para conversamos sobre o legado dele”.

Entre os apresentadores de talk shows do fim de noite, Jimmy Fallon, 41, continua imbatível como o número um da TV: 3.8 milhões de espectadores diários e dez milhões de assinantes em seu canal no YouTube. Stephen Colbert, 51, que assumiu a vaga deixada por David Letterman, é o vice-campeão: 3 milhões de espectadores.

Os apresentadores de programas de notícias da TV a cabo Anderson Cooper, 48, da CNN, e Rachel Maddow, 43, da MSNBC, ambos gays assumidos, continuam a ter grande influência por entre os espectadores, mas, na guerra da audiência, perdem feio para os conservadores Megyn Kelly e Bill O’Reilly, da Fox. O’Reilly, com sua agenda bombasticamente conservadora, é o número 1 entre os noticiários da TV a cabo há 16 anos. Em entrevista a Hollywood Reporter, ele disse que expulsaria o prefeito liberal democrata Bill de Blasio de Nova York (“Havana precisa muto mais dele”) e acha que Donald Trump é um “homem com uma missão”. “Para onde tudo isso vai (o rumo da campanha presidencial) é uma das histórias mais fascinantes”, disse o O’Reilly.

O apresentador sul-africano Noah, que assumiu o cargo deixado por Jon Stewart, experimentou uma queda de 38% em sua audiência, mas a sua versão do “Daily Show” é vista ainda como relevante. Na briga entre os programas de humor político, o inglês John Oliver, 38, leva vantagem com seu “Last Week Tonight”, da rede HBO, com 4.6 milhões de espectadores. Tudo porque os videos do programa viralizam no YouTube durante a semana. São cerca de 1.5 milhão de visitantes. Assim como o editor da revista The New Yorker, Oliver revela a Hollywood Reporter que gostaria de sentar-se ao lado Vladimir Putin num jantar. “Adoro comer sob silêncio tenso e excruciante”.