Quem são os atores que recusaram papéis icônicos de Hollywood

Por Marcelo Bernardes

“E se Al Pacino tivesse interpretado Han Solo?” Esse é o título da reportagem da nova revista “Entertainment Weekly”, que revisita 20 histórias de seleções de elenco para personagens icônicos que quase acabaram tendo finais diferentes. O cineasta Tim Burton pensou em Jim Carrey para “Edward, Mãos de Tesoura”. Pamela Anderson foi sondada para fazer a agente Dana Scully em “Arquivo X”. Bruce Willis não quis interpretar um fantasma e contracenar com a então esposa Demi Moore em “Ghost – Do Outro Lado da Vida”. Antes de Steve Carrell, o papel de Michael Scott, em “The Office”, foi oferecido a Paul Giamatti. Matthew Broderick e John Cusack disseram não à Walter White, de “Breaking Bad”, e Bryan Cranston levou a melhor. A recusa de Leonardo DiCaprio para o papel do ator pornô Dirk Diggler, em “Boogie Nights – Prazer Sem Limites”, abriu caminho para Mark Wahlberg usar a famosa prótese de pênis.

Al Pacino como Han Solo. (Foto: Reprodução)
Al Pacino como Han Solo. (Foto: Reprodução)

Outros exemplos:

 

Al Pacino como Han Solo, em “Guerra nas Estrelas”

Em 2013, durante evento celebrando sua carreira, em Londres, o ator revelou que o papel que foi entregue a Harrison Ford era originalmente dele. “Só tinha um problema: não entendi o roteiro”, disse Pacino.

 

Tom Selleck como Indiana Jones, em “Os Caçadores da Arca Perdida”

Harrison Ford já havia aparecido em dois filmes de George Lucas – “Loucuras de Verão” e “Guerra nas Estrelas -, então o roteirista de “Os Caçadores da Arca Perdida” pediu para o diretor Steven Spielberg considerar outros atores como Peter Coyote (que acabou fazendo “E.T. – O Extraterrestre”). A dupla bateu o martelo no nome de Tom Selleck para o papel, mas o ator não pode deixar o elenco do seriado “Magnum”.

 

Sarah Michelle Gellar como Cher Horowitz, em “As Patricinhas de Beverly Hills”

A eterna Buffy foi convidada para fazer o papel da rica estudante de um colégio de Los Angeles que vive para a moda, mas ela não conseguiu deixar o elenco da novela “All My Children” e produtores escolheram a mais novata Alicia Silverstone.

 

Rob Lowe como o dr. Derek Shepherd, em “Grey’s Anatomy”

Em sua biografia, lançada no ano passado, Lowe revelou que recebeu o convite para fazer a série passada num hospital da cidade de Seattle. Apesar de ter “adorado” o roteiro, ele decidiu interpretar um outro médico no seriado “Dr. Vegas”.

 

John Travolta como “Forrest Gump”

Travolta parece ser o campeão de declinar ofertas de bons papéis. Ele disse não a dois filmes que foram parar nas mãos de Richard Gere: “O Gigolô Americano” e “A Força do Destino”. Com Forrest Gump foi a mesma coisa. O ator estava ocupado com as filmagens de “Olha Quem Está Falando” e passou a oferta adiante. Mais tarde, ele lamentou publicamente a decisão que só beneficiou Tom Hanks.

 

Drew Barrymore como Nomi Malone, em “Showgirls”

Taí o caso de um filme que poderia ter funcionado. Drew foi convidada para fazer o papel da dançarina que afundou a carreira da atriz Elizabeth Berkley. Madonna foi sondada para o papel da inimiga, interpretada no filme de Paul Verhoeven por Gina Gershon.

 

Jack Nicholson como Michael Corleone, em “O Poderoso Chefão”

Francis Ford Coppola pensou em ter Warren Beatty, Robert Redford e Nicholson no papel do mafioso que ficou com Al Pacino. Nicholson não aceitou e mais tarde disse: “Sabia que “O Poderoso Chefão” seria um ótimo filme, mas, naquela época, achava que indianos deviam interpretar papéis escritos para indianos e italianos deviam fazer o mesmo”.

 

Matt Damon e Joaquin Phoenix como Ennis e Jack, em “O Segredo de Brockeback Mountain”

Antes de ir parar nas mãos do cineasta Ang Lee, o filme sobre caubóis gay interpretados por Jake Gyllenhaal e Heath Ledger, era um projeto do diretor Gus Van Sant. Como já havia trabalhado com Damon em “Gênio Indomável” e “Um Sonho Sem Limites”, Van Sant queria repetir a dobradinha. Damon recusou, dizendo que o personagem ia ser repetitivo na carreira dele: “Gus, já fiz recentemente um filme gay (“O Talentoso Mr. Ripley”) e um filme de caubói (“Espírito Selvagem”). Não posso agora fazer um filme de caubói gay!” disse o ator.

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Montagem de cena de “O Segredo de Brockeback Mountain” com Joaquin Phoenix e Matt Damon. (Foto: Reprodução)

 

Michelle Pfeiffer como a agente Clarice Sterling, em “O Silêncio dos Inocentes”

O diretor Jonathan Demme, que dirigiu Michelle em “De Caso com a Máfia”, gostou tanto de ter trabalhado com a atriz que queria que ela assumisse o papel da agente que lida com o canibal Hannibal Lecter. “Era muito, muito sombrio para ela, então Michelle fugiu da oferta”, disse Demme. Sorte de Jodie Foster.

 

Angela Bassett como Leticia Musgrove, em “A Última Ceia”

A intérprete de Tina Turner no cinema teve problemas com as cenas de nudez da personagem da garçonete que rendeu o Oscar para Halle Berry. Em entrevista à revista “Newsweek”, Angela explicou sua decisão: “Não ia ser uma prostituta num filme. Não podia fazer isso, pois se trata de um estereótipo sobre mulheres negras e sexualidade. Meryl Streep ganhou Oscars sem fazer tudo aquilo”.

 

Bridget Fonda como “Ally McBeal”

A atriz de “Mulher Solteira Procura” recusou o papel da advogada Ally McBeal porque não queria fazer televisão. Em 1999, ela disse que não lamentava a decisão, mesmo a série tendo virando um sucesso. “Estou nesse ramo há muito tempo para saber que o seriado seria um fiasco comigo no papel principal. Talvez tenha dado muito certo por conta da Calista (Flockhart)”.

 

Will Smith como Neo, em “Matrix”

O ator duvidou do talento dos irmãos-cineastas Andy e Larry (hoje a transgênero Lana) Wachowski, principalmente sobre como eles conduziriam a cena de Neo se desviando de balas e que acabaria revolucionando os filmes de ação de Hollywood que surgiram depois. Smith, então, decidiu assinar contrato com “As Loucas Aventuras de James West”, o maior fracasso de sua carreira.

Molly Ringwald disse não à "Uma Linda Mulher". (Foto: Reprodução)
Molly Ringwald disse não à “Uma Linda Mulher”. (Foto: Reprodução)

 

Molly Ringwald como Vivian Ward, em “Uma Linda Mulher”

Quando o roteiro do filme era ainda intitulado “$ 3.000”, a história era sombria, sem final feliz e a prostituta era viciada em drogas, a oferta foi feita para Molly Ringwald, que recusou. Sobre a nova versão do roteiro, Molly disse que ele “era OK”. “É Julia Roberts quem faz o filme funcionar. Ninguém faria melhor. Todo ator sonha com um papel que o deixe brilhar como aquele”, disse Molly.