Insígnia nazista causa polêmica no metrô de Nova York

Por Marcelo Bernardes

Para quem pega o metrô que liga a Grand Central Station à estação da Times Square, ambas na rua 42, mas em lados opostos, no centro de Nova York, leva um susto. Ao embarcarem no trem, os passageiros encontram todos os assentos recobertos pelas insígnias nazista de um lado e a do Japão Imperial do outro. As imagens não têm agradado os passageiros, que tomaram as redes sociais para reclamar – ou apenas para tentar entender o motivo delas estarem ali.

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A insígnia nazista dentro de um trem no centro de Manhattan. (Foto: Marcelo Bernardes)

Tudo é parte da propaganda de divulgação da boa série da Amazon.com, “The Man in the High Castle” e que teve todos seus dez episódios disponibilizados na sexta-feira. Baseado no livro “O Homem do Castelo Alto”, do escritor Philip K. Dick (autor também de “Andróides Sonham Com Ovelhas?”, que serviu de base para o filme “Blade Runner – O Caçador de Andróides”), o seriado se passa no início dos anos 60 e mostra como seria a vida nos Estados Unidos caso Hitler e os japoneses não tivessem sido derrotados durante a Segunda Guerra. A série dividiu a crítica especializada.

Logotipo baseado em propaganda do Japão Imperial também estão presentes na campanha da Amazon.com. (Foto: Marcelo Bernardes)
Logotipo baseado em propaganda do Japão Imperial também estão presentes na campanha da Amazon.com. (Foto: Marcelo Bernardes)

O grande problema é que a Amazon ainda engatinha no campo de sites de streaming, ao contrário de companhias mais populares como Netflix e Hulu, e muita gente não sabe que eles tem um novo seriado no ar. Para piorar, a propaganda comissionada pela Amazon não dialoga bem com os usuários do metrô, por não apresentar nenhum slogan ou frase que conecte as imagens das insígnias com a trama fictícia da série.

O logotipo da série da Amazon também foi pintado do lado de fora dos trens. (Foto: Marcelo Bernardes)
O logotipo da série da Amazon também foi pintado do lado de fora dos trens. (Foto: Marcelo Bernardes)

E, em tempos de polêmicos comentários de intolerância racial feitos por Donald Trump e Ben Carson, pré-candidatos do partido republicano à Casa Branca, a paranoia só aumenta. Alguns passageiros estão recorrendo à mídia social para demonstrar indignacão e preocupação com a campanha, ou apenas para reiterar o quanto confusa ela é. “Isso é permitido?”, perguntou uma usuária do Twitter.  Outra tuítou: “Símbolos nazistas = erro grosseiro de marketing”. Outro usuário ofereceu: “Dica para como não marketar seu programa”.

Pôster do seriado não explica bem o motivo das insígnias nos assentos do trem. (Foto: Marcelo Bernardes)
Pôster do seriado não explica bem o motivo das insígnias nos assentos do trem. (Foto: Marcelo Bernardes)

Em entrevista ao site “Gothamist”, Adam Lisberg, porta-voz da companhia de transportes de Nova York, a MTA, defendeu a campanha, dizendo que ela não contraria as novas normas da companhia, que proíbe propagandas políticas dentro de transportes públicos, estações de metrô e pontos de ônibus.

Recentemente a MTA proibiu uma campanha publicitária de um banco que apoiava o movimento em favor do aumento do salário minímo, alegando que ela era de teor político. Em outubro, a empresa vetou campanha de marca de calcinha com proteção especial contra a menstruação, por ela expor imagens consideradas fortes para crianças. Depois de vários protestos do público, a MTA voltou atrás em sua decisão.

Os anúncios do seriado da Amazon continuam a ser veiculados nos trens de Nova York até o dia 14 de dezembro.

Abaixo fotos promocionais da série:

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A região da Times Square, nos anos 60, caso o nazismo não tivesse sido derrotado durante a Segunda Guerra. (Foto: Reprodução)
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O ator inglês Rufus Sewell, como oficial nazista, é um dos protagonistas da série. (Foto: Reprodução).
Como o Japão Imperial e a Alemanha Nazista teriam dividido os Estados Unidos, caso não tivessem sido liquidados. (Foto: Reprodução)
Como o Japão Imperial e a Alemanha Nazista teriam ocupado os Estados Unidos, caso não tivessem sido liquidados. (Foto: Reprodução)