Homem obcecado por trens e ônibus é preso pela 29a. vez em NY

Por Marcelo Bernardes

O novaiorquino Darius McCollum foi preso ontem à tarde, no Brooklyn, pela 29a. vez. Com 50 anos de idade, a soma de todas essas prisões custou-lhe um total de 18 anos de encarceramento, ou, nas próprias palavras do réu, “um terço de minha vida adulta”.

O interesse de se falar sobre McCollum é que o crime dele é temático – e ele jamais feriu alguém. McCollum é obcecado por furtar transportes públicos. Não o furto de passageiros, mas roubar trens e ônibus e operá-los na cidade, com a mesma liberdade e inocência de Matthew Broderick dirigindo aquela Ferrari na comédia “Curtindo a Vida Adoidado”. A predileção de McCollum é por trens. Ele já revelou que gosta do barulho, do movimento constante, e até do cheiro característico das locomotivas e das estações de metrô. Mas suas últimas três prisões foram por roubar ônibus.

Detalhe da matéria do jornal novaiorquino "Daily News", sobre a prisão de McCollum. Na foto, ele deixa a delegacia do bairro de Park Slope, no Brooklyn. (Foto: Reprodução)
Detalhe da matéria do jornal novaiorquino “Daily News”, sobre a prisão de McCollum. Na foto, ele deixa a delegacia do bairro de Park Slope, no Brooklyn. (Foto: Reprodução)

A polícia de Nova York prendeu McCollum por volta das 16h (19h no horário de Brasília) de quarta, 11. Ele dirigia um ônibus interestadual que roubara na rodoviária, na rua 42, em pleno coração de Manhattan, na hora do almoço. O ônibus, que havia chegado da Filadélfia no começo da manhã, deveria deixar novamente o terminal as 14h15, com destino ao estado de Virginia, quando despachantes notaram que ele havia desaparecido. Por conta do GPS instalado no veículo sem nenhum passageiro a bordo, a polícia acionou suas viaturas e uma delas, com dois policiais em ronda pelo Brooklyn, conseguiu localizar e prender McCollum.

O modus operandi de McCollum não encontra similar em nenhuma parte do mundo, daí o fato de ele ter conquistado imagem de figura cult. Ele sofre de síndrome de Asperger, forma de autismo caracterizada por comportamento obsessivo. Algumas organizações especializadas nessa condição psicológica, tentaram ajudá-lo com tratamentos. McCollum também foi tema de uma peça de teatro, tem sua própria página no wikipedia e, recentemente, foi entrevistado, durante sua penúltima passagem no xadrez, para um documentário, ainda inédito.

Seu primeiro delito aconteceu em 1981, quando McCollum tinha apenas 15 anos. Ele roubou um trem cheio de passageiros e o conduziu sozinho por seis estações, da rua 34 até a estação ao lado das ex-torres gêmeas do World Trade Center. Nenhum passageiro percebeu que havia algo de errado até a polícia chegar, ou de eles lerem, no dia seguinte, sobre o ocorrido, nos jornais.

McCollum é obcecado por trens desde criança. Aos cinco, memorizou todas as estações e rotas do sistema de metrô de Nova York. Mas ele nunca conseguiu um emprego oficial no órgão público de transporte da cidade. Em alguns de seus furtos, McCollum usava uniforme oficial da companhia de metrô. Em 2000, usando uma dessas roupas, ele conseguiu entrar em uma central de operações que funciona na rua 57, em Manhattan, e que controla várias linhas.

Em 2013, após roubar um ônibus, McCollum foi condenado a cinco anos de prisão. Foi colocado em liberdade condicional no ano passado, quando furtou mais um ônibus. Outra vez em liberdade, ele estava proibido de dirigir legalmente até a última semana de agosto.

Toda vez que é preso, McCollum se declara culpado. Caso diga que é inocente, alegando insanidade, corre o risco de ficar preso até o final de sua vida. O juiz, dessa vez, poderá reagir diferente, de forma mais severa. Ao ser preso ontem, McCollum disse a um policial que pretende “roubar um avião da próxima vez”.