Amy Schumer faz piadas sobre peso e esperma em especial da HBO

Por Marcelo Bernardes

A rede HBO exibiu ontem especial de uma hora de duração da comediante Amy Schumer fazendo stand-up no famoso Apollo Theater, que fica no coração do bairro do Harlem, em Nova York. A apresentação, que aconteceu em maio deste ano, teve direção do ator Chris Rock.

A atriz de “Descompensada” fica acompanhada no palco apenas de uma garrafa de vinho branco. Seus monólogos ou são sobre como ela lida com o fato de ser gordinha  – e eles são um pouco infantis ou lugar comum – ou piadas sexuais, quando ela triunfa, ganhando a plateia.

O humor sexual dela vai desde o fato de ter contraído ITU (infecção do trato urinário), passando por sexo oral, até o significado de ‘novas’ gírias sexuais (todas inventadas por ela). “’Golfinho’ é quando o cara penetra a mulher por trás e ela grita: inhom, inhom, inhom’; ‘Houdini’ é quando o cara está por trás da mulher, chama um amigo para substitui-lo na função, sai da casa, vai até a janela e acena de fora para a namorada.’”

A comediante Amy  Schumer em ação no Apollo Theater, no bairro do Harlem, onde foi gravado especial da HBO. (Foto: Divulgação)
A comediante Amy Schumer em ação no Apollo Theater, no bairro do Harlem, onde foi gravado especial da HBO. (Foto: Divulgação)

Confira alguns dos monólogos de Amy:
 Sobre Nova York vs. Los Angeles:

“Nasci e fui criada em Nova York. Fiz tudo aqui pela primeira vez. Ainda não rolou sexo anal. Adoro Nova York. É a cidade na qual consigo trepar. Posso achar um pau aqui a qualquer momento. Estava em Los Angeles e, lá, não rola. Em caso de você nunca ter ido a Los Angeles, lá é um lugar repleto das mais bonitas pessoas de todos os cantos do mundo. Todo mundo lá é sexy. Vi um cara limpando o banheiro do Pizza Hut, eu pagaria para esse cara trepar comigo. Pagaria um bom dinheiro. As pessoas nem me enxergam por lá. Meus braços lá tendem a passar por pernas; e minhas pernas passam por um pedaço de lenha.
Diferença de testes para atrizes em NY e LA

“Se faço uma audição em Nova York é para um papel de uma garota bonita, que ninguém nota e que usa calça cáqui. Mas em Los Angeles, se estou numa sala de espera, a diretora de elenco diz: ‘você está aqui para tentar o papel da mulher que faz cirurgia bariátrica?’ ou ‘Amy, não consigo te encaixar em nada, você pode fazer um teste para a mãe do Gilbert Grape (personagem de Johnny Depp)?’”

Sobre o filme “Descompensada” 

“Escrevi um filme e achei que eles iam escalar uma menina linda para fazer o papel principal, tipo Blake Lively ou essa Sofia Vergara. E eles me chamaram para fazer o papel. ‘Euuuu?’, perguntei. E eles, ‘sim, só queremos três coisas de você. Um: seja você mesma. Dois: aproveite a experiência. Três: por favor, pare de comer’. E disse: ‘as pessoas não precisam de comida para viver?’ ‘Isso é um mito’, me disseram.”

Entrando em forma no set de “Descompensada

“Eles me contrataram um treinador. Nunca tive personal trainer antes e esse era o cara, tipo ele treina todos os Hemsworths (os irmãos australianos Liam, Chris e Luke), Megan Fox… Todo mundo com quem você quer trepar, esse cara treina. A gente se encontra pela primeira vez. Vejo que ele olha para mim e franze a testa. Vem andando em minha direção, com uma risadinha e sendo valente, tipo quando você olha para um pessoa que teve queimadura de primeiro grau.”

Surpresa no set de “Descompensada”

“Achei tão legal que ia ter uma dublê de corpo no filme. Cheguei no set e disse: ‘cadê ela?’ E eles me apontaram: ‘ali, aquele é o Troy’. O cara tinha barba. ‘E disse: esse cara vai ser eu?’ E a produção: ‘sim, ele é você’”.

Sobre adorar comida

“Já nasci com 68 quilos. Sai voando de dentro da minha mãe, dizendo ‘me dá linguine, mama?’ Nunca disse em minha vida: ‘Oh me Deus, esqueci de almoçar hoje’. Já pensei em ter uma disfunção alimentar. Sou mulher branca, então posso ter isso. Empanturrei-me de comida e depois enfiei meu dedo na garganta. E meu estômago retrucou: ‘não, sua vaca, aqui não rola isso. Mantemos a comida aqui dentro. Isso não é uma coisa disponível para todo mundo’”.

No escurinho do cinema com pipoca

“Estou solteira novamente, o que significa que agora tenho que sair em encontros. Vou com o cara ao cinema e ele diz: ‘você quer pipoca?’ E eu falo: ‘Oh meu Deus, nem estava pensando nisso. Esse não é o verdadeiro motivo de ter vindo assistir a essa bosta de filme’. Muitas vezes já deixei o cinema logo depois dos trailers porque minha pipoca tinha acabado. O cara me pergunta: ‘que tamanho você quer?’ E eu respondo: ‘pequeno, olha só para mim’. Pipoca pequena é como tomar apenas um advil. Vá se fuder”.

 Sexismo no stand-up

“As pessoas me rotularam como comediante sexual. Em entrevistas comentam ‘você fala sobre sexo….’ Acho que é só porque sou uma garota. Se um cara sobe aqui, abre a braguilha e tira o pênis para fora, todo mundo vai rotulá-lo de ‘o pensador’”.

Piadas tabus

“As pessoas acham que falar sobre esperma é repulsivo. A gente precisa ser mais simpático em relação ao esperma. Esperma nos dá vida. Gandhi foi esperma. Oprah? Esperma. Oprah poderia ter acabado esparramada nos seios de alguém. Mas, não: a gente ganhou a Oprah. Obrigada, esperma”.