Criadores do Instagram falam sobre jornalismo cidadão e selfies

Por Marcelo Bernardes

Por pouco o Instagram não foi batizado de Gather (do verbo reunir ou concentração de pessoas) ou Instalux. Esses foram os nomes debatidos por Kevin Systrom e Mike Kreiger, co-fundadores do popular aplicativo de compartilhamento de fotos e vídeos que completa cinco anos de existência esse mês.

Para comemorar a data, Systrom e Kreiger deram uma entrevista exclusiva a Gayle King (a melhor amiga de Oprah Winfrey), uma das âncoras do programa de TV “CBS This Morning”. “A gente apertou o botão um pouco depois da meia-noite (do dia 6 de outubro de 2010) para lançar o Instagram na loja virtual de aplicativos da Apple. E, imediatamente, as pessoas começaram a aparecer, todos esses emails assinando o serviço. No primeiro dia, já tinhamos 25 mil assinantes. Olhamos um para o outro e…ôa”, disse Systrom a Gayle.

Mike Kreiger e Kevin Systrom, co-fundadores do Instagram, em entrevista a Gayle King, da rede CBS. (Foto: Reprodução)
Mike Kreiger e Kevin Systrom, co-fundadores do Instagram, em entrevista a Gayle King, da rede CBS. (Foto: Reprodução)

O Instagram tem hoje 400 milhões de usuários pelo mundo, que já dividiram 40 bilhões de fotos. Uma média de 80 milhões de fotos (e vídeos) é compartilhada diariamente. Em 2012, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, assinou um acordo de compra do aplicativo no valor de US$ 1 bilhão. A equipe, baseada no Vale do Silício, na Califórnia, é composta por 250 funcionários e algumas das salas da sede do Instagram foram batizadas por nomes tirados de famosos hashtags como #selfie e #tbt.

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Uma das salas da sede do Instagram, no Vale do Silício, foi batizada de #selfie. (Foto: Reprodução)

Sobre o fenômeno dos selfies, Systrom comentou: “Se você olhar para a história da arte, fotografias são um tema dominante por entre as pessoas. Retratos não são uma novidade. Apenas significa que agora, em vez de você pagar alguém para pintar seu retrato, você pode apertar um botão e ter seu auto-retrato instantâneo. E é muito legal pensar que uma geração inteira de pessoas vai documentar suas vidas e depois olhar de volta para elas.”

Systrom também falou sobre o que mais lhe deixa orgulhoso por entre as fotos compartilhadas: as que tem caráter jornalístico. Ele citou Devin Allen, o fotógrafo de 26 anos que, em abril deste ano, documentou os conflitos de rua em Baltimore, motivados pela morte do jovem negro Freddie Gray, 25, enquanto este estava sob custódia policial. Umas das fotos de Allen foi parar na capa da revista Time.

Imagem captada pelo jovem fotógrafo Devin Allen, via Instagram, foi parar na capa da Time em abril deste ano. (Foto: Divulgação)
Imagem captada pelo jovem fotógrafo Devin Allen, via Instagram, foi parar na capa da Time em abril deste ano. (Foto: Divulgação)

Outro exemplo dado por Systrom foram as fotos tiradas por usuários do Instagram durante a tempestade de neve Juno, que castigou a costa leste americana no dia 24 de janeiro deste ano. Uma colagem de nove dessas imagens, mostrando a ação da neve em vários bairros de Nova York, foram parar na capa do jornal “The New York Times”. “Isso fala muito sobre o poder do jornalismo cidadão e da participação popular e fotografia às soltas no mundo”.

Detalhe da capa do jornal "The New York Times", de janeiro de 2015, que reuniu nove fotos tiradas via Instagram durante a tempestade de neve Juno que castigou a cidade. (Foto: Reprodução)
Detalhe da capa do jornal “The New York Times”, de janeiro de 2015, que reuniu nove fotos tiradas via Instagram durante a tempestade de neve Juno que castigou a cidade. (Foto: Reprodução)