Desenho ‘South Park’ satiriza Donald Trump

Por Marcelo Bernardes

Demorou apenas uma semana.

Já no segundo episódio da nova temporada de “South Park”, exibido na noite de quarta-feira na TV americana, a dupla de animadores e roteiristas Trey Parker e Matt Stone, criadores da série, satirizou Donald Trump e a campanha do empresário para representar o Partido Republicano nas eleições presidenciais de 2016. Um dos pontos principais da campanha política de Trump é a imigração ilegal em solo americano. O magnata do setor imobiliário prometeu construir um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México, além de deportar 11 milhões de estrangeiros que vivem no país sem documentação.

Intitulado “Onde o Meu País Foi Parar?”, o mais novo capítulo do desenho mostra como o professor Garrison, da escola primária de South Park, inicia uma campanha política cuja principal plataforma é construir um muro gigante na fronteira dos Estados Unidos e conter a imigração ilegal. Garrison acredita que o nível de tolerância e aceitação praticados pelo governo americano e o aumento da onda do politicamente correto fez com que “ilegais entrassem no nosso país e fodessem com ele”.

Em entrevista a rede CNN, usando boné igual ao da campanha de Donald Trump, o professor Garrison explica seu plano para "eliminar" os 11 milhões de imigrantes ilegais. (Foto: Reproducão)
Em entrevista a rede CNN, usando boné igual ao da campanha de Donald Trump, o professor Garrison explica seu plano para “eliminar” os 11 milhões de imigrantes ilegais. (Foto: Reproducão)

 

No seriado, todos os ilegais são provenientes do Canadá, de onde eles chegam impondo seus “costumes ridículos”. Diante da nova realidade, o diretor da escola, cujo nome é Diretor PC (de politicamente correto), obriga que seu quadro de docentes tome aulas de “canadense” para se comunicar melhor com os alunos imigrantes. Ele também proíbe que professores categorizem os pupilos pela expressão “canucks” (expressão pejorativa usada nos Estados Unidos e equivalente a gringo).

A revolta do professor Garrison é originada quando o Presidente Barack Obama, em cerimônia na Casa Branca, condecora o garotinho Kyle por pregar (e propagar), via mídia social, mensagem de aceitação para a transgênero Caitlyn Jenner. Segundo Garrison, agora “todo mundo prega abertura e aceitação e ninguém parece ligar que milhões de malditos imigrantes ilegais estejam cruzando nossa fronteira”. Em entrevista à reportagem da CNN, Garrison diz que pretende “acabar” com os ilegais “os fodendo até que o espírito abandone os corpos deles”.

Em cerimônia na Casa Branca, o presidente Barack Obama condecora o garoto Kyle por pregar mensagem de aceitação para Caitlyn Jenner. (Foto: Reproducão)
Em cerimônia na Casa Branca, o presidente Barack Obama condecora o garoto Kyle por pregar mensagem de aceitação para Caitlyn Jenner. (Foto: Reproducão)

Fica-se sabendo, então, o porquê de os canadenses estarem cruzando a fronteira, uma vez que eles moravam “no melhor país do mundo; onde se tinha de tudo”.

Um imigrante explica que, na última eleição presidencial no Canadá, o povo achou que era brincadeira o fato de um candidato “babaca” e “que não oferecia nenhuma solução, só dizendo coisas ultrajantes”, tivesse chances nas urnas. “Mas deixaram a piada transcorrer por muito tempo e, de repente, ele virou nosso presidente”, diz o homem. O desenho, então, apresenta o presidente canadense, que, para se comunicar com seus assessores diretos, usa expressões pra lá de vulgares como “chupe minhas bolas” e “homossexuais maricas”: ele é a cara de Donald Trump. Com direito a topete laranja.

Canadenses entraram ilegalmente nos Estados Unidos para fugir do novo presidente reacionário, que é a cara de...Donald Trump. (Foto: Reprodução)
Canadenses entraram ilegalmente nos Estados Unidos para fugir do novo presidente reacionário, que é a cara de…Donald Trump. (Foto: Reprodução)

O novo episódio de South Park ainda faz piadas sobre o comediante Bill Cosby e a cantora canadense Alanis Morissette.