Após hiato de dez anos, programa de Matt Damon e Ben Affleck volta à TV

Por Marcelo Bernardes

Um desentendimento sobre diversidade racial e sexual entre uma produtora negra e o ator Matt Damon marcou a volta do programa “Project Greenlight” à TV americana.

A rede HBO apresentou ontem à noite a estreia da quarta temporada do programa produzido pelos amigos Damon e Ben Affleck e que promove uma competição entre aspirantes a cineasta. O prêmio é dirigir uma produção de baixo orçamento. A série criada e exibida pela emissora HBO entre 2001 e 2003 e, cuja terceira temporada foi transferida para o canal Bravo em 2005, voltou ao ar após hiato de dez anos.

Ben Affleck e Matt Damon analisam concorrentes da competição do programa "Project Greenlight", da rede HBO. (Foto: Divulgação)
Ben Affleck e Matt Damon analisam concorrentes da competição do programa “Project Greenlight”, da rede HBO. (Foto: Divulgação)

 

Dessa vez, um grupo de dez cineastas, escolhidos pela equipe do programa após uma competição na internet, busca a chance de dirigir uma comédia a ser exibida pela HBO e com micro orçamento de US$ 3 milhões. Os participantes são julgados por um time que, além de Damon e Affleck, inclui a dupla de cineastas Peter e Bob Farrelly (de “Quem Vai Ficar com Mary?” e “Debi & Lóide”), o chefe de produção da HBO e três produtores. Ao contrário das outras temporadas, que focavam no desenvolvilmento do roteiro, dessa vez a série já começa com a escolha do melhor cineasta.

A comédia a ser produzida se chama “Not Another Pretty Woman” (Não Uma Outra Linda Mulher) e conta a história de um homem abandonado no altar e que acaba se casando com uma prostituta negra. Como o nome deixa claro, trata-se de uma sátira à comédia de sucesso “Uma Linda Mulher”, estrelada por Julia Roberts. O roteiro foi escrito por Pete Jones, o cineasta-roteirista que venceu a primeira temporada de “Project Greenlight” e agora faz parte da equipe de roteiristas que trabalha para os irmãos Farrelly.

Entre os dez finalistas, não existe um cineasta negro. E, no debate preliminar da comissão julgadora, os quatro melhores candidatos são brancos e homens. Effie Brown, que recentemente produziu a comédia “Dear White People”, critica a falta de diversidade entre os nomes que estão sendo debatidos. Ela gostaria de ver a dupla de amigos Leo Kei Angelos, nascido no Vietnã, e Kristen Brancaccio, diretora de mini-filmes no YouTube, e que se inscreveram juntos no programa, no páreo também.

Matt Damon confronta a produtora, Ele defende que levar em conta a diversidade sexual e racial em detrimento a qualidade dos concorrentes, contraria a proposta do programa de escolher o melhor cineasta baseado em mérito. Damon argumenta. “Você faz isso (levar em conta a diversidade) durante a seleção de elenco do filme, mas não na escolha da equipe”.

Os juízes acabam escolhendo Jason Mann, um jovem alto, branco e neurótico de Nova York, que dirigiu o melhor curta apresentado a seleção, mas que claramente demonstra não ter nenhum interesse ou (aparente) talento para se dedicar ao gênero da comédia-sátira. Os produtores acham que a sensibilidade dark do cineasta poderá comprometer o projeto mas, mesmo assim, concordam que ela era o mais talentoso do grupo.

Jason Mann, o cineasta vencedor para dirigir o projeto de uma comédia, tem sensibilidade "dark" e a arrogância dele irrita comissão julgadora do programa "Project Greenlight". (Foto: Divulgação)
Jason Mann, o cineasta vencedor para dirigir o projeto de uma comédia, tem sensibilidade “dark” e a arrogância dele irrita comissão julgadora do programa “Project Greenlight”. (Foto: Divulgação)

 

Mann ainda começa mal o processo de entrevista, ao irritar os irmãos cineastas Bobby e Peter Farrelly ao arrogantemente fazer comentários como “sinto que o filme vai se transformar se eu dirigi-lo” e “ainda não envolvi minha mente em como fazer esse filme ficar bom”.

Logo após a festa em que o nome do vencedor é anunciado, Mann surpreende Damon e Affleck com dois pedidos que não haviam sido mencionados anteriormente: que ele quer dirigir o filme em película; e despedir o roteirista Pete Jones e contratar Andy Bienen, que escreveu o drama gay “Meninos Não Choram”. O episódio de estreia termina com o drama aberto pelas novas imposições do cineasta.