Hiperativo Stephen Colbert faz piadas fracas em estreia de talk show

Por Marcelo Bernardes

O apresentador Stephen Colbert abriu seu primeiro “Late Show” cantando o hino nacional americano em lugares inusitados como um casa de boliche, uma siderúrgica e um milharal em Iowa. Foi uma estreia tépida. Apesar de estar cheio de energia (ele parece uma criança hiperativa se comparado com o mais calmo Letterman, e cantou e dançou no programa) e dar ênfase a política, Colbert fez entrevistas fracas e rápidas. Seu monólogo de abertura, o carro-chefe dos talk shows, foi repleto de piadas sem graça. Leia mais sobre o dia de Colbert e a pré-gravação do programa aqui.

Dentro do teatro Ed Sullivan, Colbert foi aplaudido de pé e gritos do público em diferentes momentos do programa. O “patrão” de Colbert, Les Moonves, CEO da rede CBS, estava presente na plateia e participou de um esquete sobre a série “The Mentalist”, programa da casa.

Stephen Colbert ao entrar no palco do Ed Sullivan. (Foto: Reprodução)
Stephen Colbert ao entrar no palco do Ed Sullivan. (Foto: Reprodução)

No primeiro segmento, as piadas foram bem triviais. “Se eu soubesse que seria saudado assim, teria começado bem antes”; “É bem melhor fazer o show sentado do que de pé”. Colbert mencionou o nome de David Letterman e fez uma mini-homenagem ao ex-apresentador, chamando-o de mentor. Ele também revelou o novo cenário, em especial a cúpula do teatro totalmente renovada, e cujos vitrais apresentam as letras do nome e fotos do apresentador. “Antes eu era um erudito em política e narcisista. Hoje, só sou narcisista”, disse Colbert ao explicar a Jeb Bush sobre a quantidade de vitrais com a foto do apresentador.

O teto renovado do Ed Sullivan, com o nome e fotos de Colbert. (Foto: Reprodução)
O teto renovado do Ed Sullivan, com o nome e fotos de Colbert. (Foto: Reprodução)

Usando o estilo de seu antigo show no canal Comedy Central, o “Colbert Report”, o apresentador teve um longo segmento político (com vídeos) no qual se concentrou em fazer piadas de Donald Trump, desde as posições do pré-candidato à presidência americana sobre imigração e a construção de um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México até o cabelo do milionário.

Os convidados agora entram no Ed Sullivan pela direita. Clooney, de terno e camisa preta sem gravata (“obrigado por ter vindo vestido como seu gêmeo do mal”, disse Colbert), foi o primeiro. Clooney falou como começou seu interesse pela causa do genocídio em Darfur. E não teve nem uma segunda pergunta sobre Darfur. Colbert pulou diretamente em pergunta superficial sobre a mulher do ator e o casamento dele.  Colbert deu um presente de casamento atrasado a Clooney: um peso para segurar papéis feito pela Tiffany’s e com a inscrição: “eu não te conheço”.

Finalmente um momento engraçado: um esquete de George Clooney no papel de um mulherengo e explosivo secretário-geral das Nações Unidas, tirada de um filme falso intitulado “Decision Strike”. Clooney gravou o esquete horas antes de ser entrevistado.

George Clooney em esquete de filme falso em que ele interpreta o secretário-geral das Nações Unidas. (Foto: Reprodução)
George Clooney em esquete de filme falso no qual interpreta o secretário-geral das Nações Unidas. (Foto: Reprodução)

O governador Jeb Bush foi o segundo convidado da noite. Ao apresentar Bush, Colbert fez uma boa piada: “Como muitos sabem, Bush foi governador da Flórida por oito anos. Você acha que tanta exposição à pessoas doidas e laranjas o teriam preparado para Donald Trump. Aparentemente, não”.

O pré-candidato à presidência dos Estados Unidos explicou o porquê de querer o cargo e criticou Barack Obama. “Obama não tem más intenções: ele está apenas errado sobre vários temas.” 

Bush revelou que ligou para a mãe dele, a ex-primeira-dama Barbara Bush, para criticá-la por ela ter falado numa entrevista que a política americana não precisa de mais um Bush ou mais um Clinton. “Mãe, não me envergonhe”, disse Jeb Bush à Barbara.  Apesar de criticar o irmão de Bush, o presidente George Bush, Colbert perdeu a oportunidade de usar mais de sua facilidade em conversar com políticos e fez uma entrevista rápida e sem pressão com o convidado. O candidato nem teve que responder sobre seu principal oponente, Donald Trump, número um nas pesquisas de intenção de votos e que chamou os discursos de Bush e a figura do governador de “sonolentos” e “zzzzzzz”.

Jon Stewart, produtor do programa, e Jimmy Fallon, apresentador concorrente na mesma faixa de horário, fizeram participação especial. Colbert terminou o programa cantando com a nova banda do programa. Em seu segundo programa, nesta quarta-feira, ele entrevista a atriz Scarlett Johanssen.