No Central Park o sol não nasce mais para todos

Por Milly Lacombe

Ao redor do Central Park, em Nova York, começam a ser erguidos prédios de altura obscena sem que nenhum tipo de protesto sonoro se faça escutar; um dos novos e imponentes estabelecimentos tem o telhado a 425.5 metros de altura.

E ainda que esses gigantes, futuro lar de bilionários do mundo todo, estejam saindo do solo sem nenhum tipo de restrição municipal, estadual ou federal, o nova-iorquino começa a perceber que o parque, que é de todos, ficará na sombra depois das 15h.

Há um ano alguns moradores da cidade decidiram se reunir para tentar evitar que os arranha-céus continuem a ser erguidos, mas é preciso um protesto muito barulhento para se opor à força do setor imobiliário na cidade. Então as obras seguem firmes; em 2018, por exemplo, será inaugurada nas cercanias do parque a Nordstrom Tower — metade hotel, metade residência a 541 metros de altura.

Quem vai impedir que bilionários possuam o que desejam? Se desejam vista, terão vista mesmo que tenham que sugar o sol do Central Park prejudicando milhões de cidadãos que usam a área para os mais variados fins.

Claro que tirar o sol do cidadão nova-iorquino não é barato: recentemente um apartamento com vista privilegiada para o parque foi negociado por 95 milhões de dólares – cerca de 300 milhões de reais.