Grife de cristais Baccarat abre o hotel mais luxuoso de Nova York

Por Marcelo Bernardes

Nova York ganhou ontem o seu mais novo cinco estrelas. É difícil comparar o Baccarat Hotel, situado na frente do Museu de Arte Moderna (o MoMA), na rua 53, com outros hotéis de luxo da cidade como o Four Seasons, The Mark ou o Mandarin Oriental. Simplesmente porque, em termos de opulência e elegância, o novo hotel chegou a lugar jamais imaginado pelos concorrentes.

 

Estamos falando das 114 suítes mais chiques de Manhattan e, nas quais, cada detalhe recebeu atenção especial. Vejamos um exemplo: no telefone do quarto, existe uma tecla especial para “champanha”, que é entregue acompanhada, obviamente, de taças Baccarat. Por falar nelas, o hotel tem um total de 15 mil copos de cristal Baccarat. Na semana passada, quando os últimos preparativos do hotel – e de seu restaurante, a brasserie Chevalier – eram executados, o Baixo Manhattan fez um tour pelo lugar.

 

Fachada do Baccarat, que tem acesso pela rua 53, entre Quinta e Sexta avenidas, tem uma "cortina" de 38 metros feita de cristais que refletem a luz do lado e fora e por dentro. (Crédito: Divulgação)
Fachada do Baccarat, com acesso pela rua 53, entre Quinta e Sexta avenidas, tem uma “cortina” de 38 metros feita de cristais que refletem a luz do lado de fora e por dentro. (Crédito: Divulgação)

 

O Baccarat Hotel é a primeira incursão na hotelaria feita pela venerada grife de cristais, criada na França há 250 anos pelo rei Luís XV. Antes mesmo de abrir suas portas, o hotel fez história na cidade. No começo do ano, um conglomerado chinês da área de seguros comprou o local por mais de US$ 230 milhões. Com valor unitário para sseus quartos acima dos US$ 2 milhões, o Baccarat bateu o recorde da hotelaria americana que pertencia ao Hotel Plaza, na Quinta Avenida. Em 2012, uma empresa indiana baseada em Mumbai, pagou US$ 2 milhões por cada suite do Plaza. O grupo Starwood, que comprou a marca francesa Baccarat em 2005 e construiu o hotel, vai continuar a gerenciar a propriedade.

 

O prédio de 50 andares foi desenvolvido pelos arquitetos da empresa Skidmore, Owings & Merrill, responsáveis pela torre One World Trade Center, em Nova York, e a nova sede da OTAN, em Bruxelas. Nos primeiros 12 andares estão as 114 suítes, com diárias que vão de US$ 899 a US$ 18 mil. Os andares superiores, com acesso por diferente entrada, serve de residência para 60 famílias. No lobby do hotel, está instalado o primeiro dos 17 candelabros de cristal especialmente criados para o hotel, e alguns suspensos por espessas cordas.

 

À direita do lobby, cobrindo uma parede de 6 metros de altura, fica uma “cortina” de cristal, inteiramente criada com dois mil dos mais icônicos cálices da grife Baccarat, o Harcourt, criado em 1841 a pedido do rei Louis Phillippe especialmente para um cerimonial. Os Harcourt foram dispostos horizontalmente e, por trás de cada um deles, uma lâmpada LED que alterna suas cores.

 

No segundo andar fica a recepção e os concierges, assim como dois salões, batizados e Petit e Grand, onde se pode tomar drinques, chá ou café da manhã. Na biblioteca do Grand Salon, está uma coleção de 250 livros (cada um representando um ano da marca) com todas as páginas do tomo em branco, onde hóspedes podem deixar registrados recados permanentes para os amigos ou familiares.

O Grand Salon do Baccarat com alguns dos 17 candelabros do local. (Crédito: Divulgação)
O Grand Salon do Baccarat. Local para drinques e café da manhã. (Crédito: Divulgação)

 

Também no segundo andar fica aquele que vem a ser o bar mais imponente de Nova York. O bar do Baccarat, que tem teto de abóbada cilíndrica e balcão de 18 metros, foi inspirado pelos estábulos de Palácio Versalhes. Mas sem nenhum odor estranho no local. Do lado direito do bar, fica uma ampla varanda, com vista para o MoMA.

O bar mais chique de Nova York é inspirado pelos estábulos do Palácio de Versalhes. (Crédito: Divulgacão)
O bar mais chique de Nova York é inspirado pelos estábulos do Palácio de Versalhes. (Crédito: Divulgacão)

 

Na porta de cada uma das 114 suítes, e protegidos por uma espécie de gaiola de acrílico, estão objetos de arte feitos a partir dos copos da grife. Os quartos foram criados pelo casal de designers franceses Patrick Gilles e Dorothée Boissier, que acabaram de abrir um hotel em Paris, The Chess. Os lençóis de linho são da marca italiana Mascioni, o mini-bar, obviamente, só tem taças Baccarat e guloseimas da marca francesa Fauchon. Produtos para o banho e corpo são da perfumaria francesa Francis Kurkdjian, cujo dono ficou famoso por criar o perfume masculino de Jean Paul Gaultier. O hotel também abriga o primeiro spa da grife americana La Mer, além de piscina no subsolo.

Detalhes do quatro, que tem guloseimas da Fauchon no minibar, tecla específica no telefone para pedir champanha e painéis com desenhos que recriam a floresta francesa que circunda a fábrica da Baccarat. (Crédito: Divulgação)
Detalhes do quarto-padrão, que tem guloseimas da Fauchon no minibar, tecla específica no telefone para pedir champanha e painéis com desenhos que recriam a floresta francesa que circunda a fábrica da Baccarat. (Crédito: Divulgação)

 

No andar térreo fica aquele que vem a ser um dos mais aguardados restaurantes do ano em Nova York, o Chevalier, cujo nome é uma homenagem ao famoso diretor criativo da Baccarat, Georges Chevalier. Em estilo brasserie, o local é comandado pelo famoso chef Shea Gallante, que ganhou uma estrela do Michelin com seu ex-restaurante, Cru. E o curador, gerente e designer é Charles Masson, que vem do La Grenouille, instituição gastronômica da cidade. Desde a semana passada, as reservas para o Chevalier estavam esgotadas até meados do mês de abril.

 

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