David Villa sobre a liga americana: “Esse projeto é emocionante”

David Villa estava cercado de repórteres e, ao lado do tradutor, ouvia as perguntas que eram arremessadas em sua direção por dezenas de jornalistas do mundo todo. Estrela e capitão do New York City FC, ou NYCFC como a imprensa americana gosta de chamar, Villa parecia tímido em seu novo papel e chegou a dizer que não via a hora de Frank Lampard – também contratado para disputar a temporada 2015 da MSL pelo NYCFC, mas ainda sem condições de jogo – se juntar a eles, talvez querendo dividir um pouco o palco.

O Blog Baixo Manhattan esteve com exclusividade na primeira coletiva que o NYCFC deu em casa e falou com Villa, que no domingo passado jogou contra o Orlando City, time de Kaká, empatando em um a um.

No domingo, o time de Villa jogará em casa, uma casa emprestada mas imponente: o Yankee Stadium, do time de baseball mais popular de Nova York. Villa já soube que o estádio estará lotado e, deixando um pouco a timidez de lado, se soltou para dizer que tem sido muito excitante jogar a MSL. “Em Orlando havia 62 mil pessoas no estádio e a gente sabe que isso é raro, mesmo para padrões europeus. Claro que Barcelona e Real conseguem lotar suas casas, mas é raro que todos os jogos estejam tão cheios”, disse ao Blog. “Nem posso imaginar como será jogar na nossa casa no domingo [contra o New England Revolution]. Me emociona pensar”.

Para a temporada 2015, o NYCFC já vendeu 15 mil ingressos criando uma nova classe de sócios-torcedores, um número que impressionou até os executivos da franquia, que é a mesma do Manchester City.

Dois terços desses compradores são torcedores que nunca adquiriram ingressos de temporada para nenhum esporte nos Estados Unidos – os season tickets – o que mostrou aos investidores da franquia, o City Football Group, que existe um mercado novo e com potencial no soccer.

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David Villa fala aos repórteres em Nova York na terça 11 de março (crédito: Milly Lacombe)

Perguntamos se Villa havia conversado com Kaká sobre a liga americana, e ele disse que sim. “Falamos no domingo e antes disso também. Kaká está tão animado quanto eu para fazer com que a MSL cresça e se consolide. Queremos muito ajudar a liga, o projeto é fantástico, emocionante, e isso é ótimo porque faz com que estejamos empolgados. Mas, claro, somos rivais aqui”.

Sobre ser criticado por colegas de profissão na Espanha por ter trocado o que muitos consideram o melhor futebol do mundo pelo ainda desconhecido futebol americano ele disse rindo: “Não só não estou sendo criticado como tenho recebido muitos telefonemas de colegas pedindo que eu ajude a fazer com que venham jogar aqui”.

E continuou: “Eu nunca vi tanto jornalista dentro de uma sala como na coletiva de imprensa pré-jogo em Orlando. As pessoas estão animadas, a liga é muito organizada, os vestiários são espetaculares, os campos impressionantes… é mesmo um enorme prazer fazer parte disso”

Villa escolheu morar no Upper West Side, uma região nobre e mais conservadora da cidade, e diz estar encantado com a experiência novaiorquina.

Mas, no final, para não deixar de lado o espírito crítico espanhol, disse rindo: “Tudo é lindo, mas eu realmente espero que comece a esquentar logo porque treinar com esse frio é duríssimo”.

(crédito: Milly Lacombe)
(crédito: Milly Lacombe)